Programa Empoderadas enfrenta sete meses de salários atrasados, enquanto suas profissionais continuam na linha de frente do combate à violência contra a mulher
Há uma pergunta que precisa ser feita: quem cuida de quem cuida das mulheres?
O Programa Empoderadas é muito mais do que um projeto de defesa pessoal. É uma rede de prevenção, acolhimento, orientação e fortalecimento de mulheres. Um trabalho que chega aos territórios e pode transformar não apenas a vida de uma mulher, mas de toda uma família.
E quem está na linha de frente desse trabalho são as profissionais do programa.
Desde janeiro, trabalhadoras relatam estar sem receber. São sete meses de salários atrasados, de janeiro a julho, enquanto agosto chega sem que muitas saibam quando poderão colocar suas contas em dia.
Aluguel, alimentação, luz, água, transporte e outras despesas não esperam.
Algumas profissionais relatam estar enfrentando dívidas, dificuldades dentro de casa e forte desgaste emocional.
As mulheres que ajudam outras mulheres a se fortalecer também estão precisando de força.
E, mesmo assim, elas continuam
Existe algo profundamente simbólico nessa história.
Enquanto essas profissionais lutam por seus próprios direitos, continuam acreditando na importância do Empoderadas e na diferença que o programa faz na vida de tantas mulheres.
Porque a violência não espera.
Enquanto uma profissional reivindica seu salário, outra mulher pode estar sofrendo violência dentro de casa, precisando de orientação, acolhimento ou simplesmente de alguém que diga: “você não está sozinha.”
Por isso, essas trabalhadoras não querem apenas receber o que lhes é devido.
Elas querem continuar trabalhando.
Érica Paes e a luta pelo programa
À frente dessa mobilização está Érica Paes, superintendente do programa, que nesta sexta-feira, 14 de agosto, foi exonerada do cargo.
A exoneração acontece em meio às discussões sobre a execução do programa e a uma auditoria que apontou supostas irregularidades. O Governo do Estado afirma que foram identificados problemas no contrato e encaminhou o caso aos órgãos competentes. A equipe ligada ao Empoderadas contesta pontos apresentados pela auditoria.
Independentemente das apurações, existe uma realidade que permanece:
mais de 200 profissionais reivindicam seus pagamentos e a continuidade de um trabalho que consideram essencial.
Érica, segundo a mobilização das trabalhadoras, segue defendendo a equipe e a importância de manter o atendimento às mulheres.
Porque o Empoderadas salva vidas
Quando uma mulher é protegida, uma família inteira pode ser alcançada.
Quando uma mulher rompe um ciclo de violência, seus filhos também são protegidos.
Quando recupera sua autoestima e sua autonomia, abre novos caminhos para sua própria vida e para quem está ao seu redor.
É por isso que o Empoderadas não pode ser visto apenas como um contrato ou uma estrutura administrativa.
Existem mulheres por trás dos números.
Mulheres que trabalham.
Mulheres que cuidam.
Mulheres que acolhem.
Mulheres que também estão sofrendo.
E mulheres que, mesmo diante de sete meses sem receber, continuam acreditando que seu trabalho pode fazer a diferença.
Quem cuida das mulheres também merece cuidado.
A luta das Empoderadas é por seus direitos, por dignidade, pelo reconhecimento do trabalho realizado e pela continuidade de uma política que pode salvar vidas.
Porque não basta empoderar mulheres.
É preciso também empoderar e proteger quem dedica a própria vida para cuidar delas.
Sou África BR Magazine
Porque nossas histórias também precisam ser contadas.







Por Sou África BR Magazine | 14 de agosto de 202



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