COISA DE PRETO: QUANDO A AMIZADE TAMBÉM É QUILOMBO

No aniversário do colunista Léo Peixe, samba, churrasco, cerveja e reencontros mostraram que estar entre os nossos também é uma forma de resistência
Realengo, 27 de setembro de 2026.
Era aniversário do colunista Léo Peixe. O tema escolhido foi direto, afetivo e cheio de significado: “Coisa de Preto”.
E talvez não houvesse nome melhor.
Quase 100% dos convidados eram pessoas negras. Tinha samba, churrasco, cerveja, conversa alta, risada solta e, principalmente, reencontros. Gente que há muito tempo não se via e que jamais imaginaria estar novamente reunida no mesmo lugar.
Não era apenas uma festa.
Era encontro de pertencimento.
Porque existe algo poderoso quando pessoas pretas conseguem se reunir sem precisar explicar quem são, justificar sua presença ou diminuir sua potência.
Ali, ninguém precisava pedir licença para ser.
Era possível rir, abraçar, cantar, lembrar histórias, matar a saudade e simplesmente estar entre os nossos.
Isso também é aquilombamento.
Aquilombar-se não significa apenas resistir à dor. É também criar espaços de afeto, amizade, celebração, proteção e memória. É construir redes onde nossas relações possam florescer e onde a nossa existência seja celebrada por inteiro.
E talvez uma das maiores potências daquele domingo tenha sido justamente essa: a amizade preta.
Amigos que a vida afastou. Amigos que o tempo separou. Pessoas que seguiram caminhos diferentes, mas que, ao se reencontrarem, perceberam que alguns vínculos permanecem guardados na memória.
O samba tocava.
O churrasco acontecia.
A cerveja circulava.
E as histórias voltavam.
Por algumas horas, aquele quintal virou um pequeno território de memória, afeto e ancestralidade.
Porque nossos ancestrais também se reuniam para comer, cantar, conversar, celebrar e fortalecer uns aos outros.
E quando fazemos isso hoje, não estamos apenas comemorando.
Estamos continuando uma história.
“Coisa de Preto” também é isso:
É amizade.
É gargalhada.
É reencontro.
É samba.
É mesa cheia.
É memória.
É afeto.
É comunidade.
É poder estar entre os nossos sem precisar ser outra pessoa.
No dia 27 de setembro, Léo Peixe comemorou mais um ano de vida.
Mas quem esteve ali ganhou algo maior:
a lembrança de que, quando a gente se encontra, a nossa história se reconhece.
E talvez seja justamente essa a beleza do aquilombamento:
não precisamos estar juntos todos os dias para sabermos que pertencemos uns aos outros.
Sou África BR Magazine
Porque o mundo é afro-brasileiro.

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Ama Ndlovu explores the connections of culture, ecology, and imagination.

Her work combines ancestral knowledge with visions of the planetary future, examining how Black perspectives can transform how we see our world and what lies ahead.

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