Mais de um século depois, a história de Tia Ciata continua falando diretamente com o presente.
Porque o que ela fez naquela época — acolher, reunir, proteger, preservar a cultura e criar espaço para que o povo preto pudesse existir e se expressar — continua sendo necessário nos dias de hoje.
Hoje, quando vemos mulheres pretas criando projetos, rodas culturais, coletivos, empreendimentos, espaços de arte, educação, religiosidade e acolhimento, podemos reconhecer nelas um pouco da força que também existia em Tia Ciata.
Ela não tinha redes sociais.
Não tinha grandes estruturas.
Não tinha os recursos que muitos têm hoje.
Mas tinha comunidade, conhecimento, fé, coragem e capacidade de reunir pessoas.
E talvez essa seja uma das maiores lições que Tia Ciata deixou para o nosso tempo:
nenhuma cultura sobrevive sozinha.
É preciso gente disposta a proteger a memória, abrir portas, compartilhar conhecimento e criar caminhos para que os que vêm depois possam caminhar.
Se hoje o samba ocupa grandes palcos, escolas, universidades, teatros, festivais e celebrações pelo Brasil e pelo mundo, é impossível ignorar as mulheres e os homens pretos que, quando essa manifestação era perseguida e marginalizada, encontraram maneiras de mantê-la viva.
Tia Ciata nos ensina que aquilo que parece pequeno para alguns pode se transformar em patrimônio para muitas gerações.
Sua casa era uma casa.
Mas também era território.
Era encontro.
Era proteção.
Era cultura.
Era resistência.
E hoje, cada vez que uma mulher preta abre sua casa, seu projeto, seu terreiro, seu negócio, sua roda, sua sala de aula ou seu espaço cultural para fortalecer outras pessoas pretas, essa ancestralidade continua encontrando novos caminhos.
Tia Ciata não ficou no passado.
Ela permanece toda vez que uma mulher preta decide não deixar morrer aquilo que recebeu de seus ancestrais.
Permanece quando o samba toca.
Quando uma roda se forma.
Quando uma comunidade se reúne.
Quando nossa cultura é celebrada.
Quando uma mulher preta abre caminho para outra.
Porque o menino chamado Samba cresceu.
E talvez a maior prova de que Tia Ciata venceu seja justamente essa:
tentaram silenciar o Samba, mas ele continua cantando.
Tentaram apagar nossa cultura, mas nós continuamos contando nossa história.
E enquanto houver memória, haverá resistência.
Enquanto houver ancestralidade, Tia Ciata continuará viva.
Algumas das mulheres da base forte da atualidade

Dona Artezana Ateliê
“Empeendo a muito tempo.
Busquei a costura e o Artezanato para aumentar minha renda pois sou neta e filha de costureira
Gosto muito do que faço Reaproveitamento tecidos e baners.”








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